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A Teoria do Quarto.


A Teoria do Quarto

Nada poderia ilustrar melhor esse artigo.

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Vejo alguns Gerentes de Projetos e outros profissionais neófitos cheios de certezas sobre muitas coisas, mas desorganizados em seus pensamentos e abordagens.

Eles dominam siglas, técnicas, tecnologias e ferramentas, mas não conseguem organizar suas rotinas. São apressados, embora estejam atrasados em suas atividades, não raramente estão estressados e têm sempre “coisas” muito importantes a fazer.

Discuti essa percepção numa viagem ao Rio de Janeiro com um grande amigo e também consultor JMB. Esse bom amigo, que possui grande vivência corporativa e conhecimento filosófico, desenvolveu uma teoria simples, inteligente e, sobretudo, bem humorada para tratamento dessa questão que mereceu nossa atenção por algumas horas. A base da teoria é: “Organize seu quarto e prepare a mente para resolver outras questões”.

A Teoria do Quarto, como ficou batizada, parte do princípio que os motivos que levam um indivíduo a procrastinar a organização do seu quarto se manifestam em outras áreas da sua vida social, afetiva e profissional. Então, o ato simbólico da organização do quarto começa a corrigir esse mecanismo de uma maneira ampla.

Conversamos algumas semanas depois daquela viagem e ele me garantiu que colocou a Teoria do Quarto à prova e garante que ela funciona. Sua primeira experiência foi feita em casa, na sua própria prole e com a observação de resultados bem favoráveis.

É claro que resolvemos abordar uma questão, que consideramos séria, pela via do humor. Porém, o resultado da “brincadeira” se apresentou como algo coerente.

A Teoria do Quarto torna possível uma abordagem mais suave e, por isso, mais possível de aceitação junto aqueles que identifiquei como profissionais neófitos.

Pergunte a eles: Como anda a organização do seu quarto?

 

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

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Projeto tem começo, meio, fim e consequências.


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Já há algum tempo defendo que os conceitos clássicos são ainda insuficientes para definir o sucesso ou limitar as mudanças obtidas por projetos. Não tenho nenhuma dúvida que essas definições extrapolam simplesmente o cumprimento de escopo, custo, prazo e qualidade.

Reconheço a mais-valia e a evolução das metodologias de gerenciamento de projetos baseadas naquilo que defino como enfoque clássico visto que buscam estabelecer um padrão médio referenciado em melhores práticas. Entretanto, identifico que o maior equivoco dessa abordagem seja o de focar resultado e não efeito (consequência). É assim que explico parte do insucesso mesmo daqueles projetos que obtêm o sucesso técnico.

Entendo que o sucesso real de um projeto não pode ser garantido apenas pelo gerenciamento da sua integração, escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições ou pelo acompanhamento de cronogramas e curva S ou pela elaboração de relatórios.

Na minha visão: “Projeto tem começo, meio, fim …. e consequências”.

É esta a preocupação que busco transmitir aos gerentes de projetos recém “enlatados” pelas certificações disponíveis no mercado, nas quais também reconheço valor. É esta consciência que espero encontrar em profissionais ditos experientes. É isto que me proponho a discutir aqui.

Quando o resultado se associa em sinergia ao efeito temos a noção que: “Resultado real é aquilo que efetivamente permanece”. Dessa perspectiva, proponho que o planejamento e execução de um projeto deva ser orientado aos efeitos pretendidos e não ao marco da mudança (resultado).

Sendo assim, o planejamento deve considerar múltiplos cenários e suas virtudes e restrições de modo que exista a maior quantidade possível de elementos para construção do efeito desejado. A execução deve ainda considerar a suplantação de cenários não previstos ou não desejados.

Aquilo que está no cerne desta abordagem é a exploração do conceito do controle consciente desses cenários (previstos ou não) para criar as condições necessárias de modo que os atores dos vários processos na organização, com seus diferentes interesses, possam operar, interagir e cooperar em benefício dos efeitos pretendidos pelo projeto.

Contudo, desde já afirmo que não é possível prever todos os cenários. Ninguém sabe com certeza o que irá acontecer no futuro. Porém, a imprevisibilidade não significa que não devemos preocupar com ele e meramente apostar na sorte ou em previsões otimistas. É preciso estar preparado para navegar num mar turbulento de crises e incertezas.

Nesse contexto o presente é também rico em informações e referencias, pois, a ação que se dá no presente é o que dá forma ao futuro. O pensamento de futuro envolve o que se deve fazer agora, que passos devem ser dados para tornar possível o futuro desejado.

O que estou apresentando não se traduz como uma metodologia, mas sim um modo de pensar. Neste sentido, não conflita e é complementar às metodologias de gerenciamento de projetos das quais tenho conhecimento. É este domínio sobre os efeitos que permite ver os conceitos clássicos como um meio de documentar e obter o controle operacional do projeto, ao invés de ser o modelo estratégico de concebê-lo e executá-lo.

Busco respaldo na Análise Pragmática – “principio baseado no pragmatismo, doutrina fundamentada no pensamento do filosofo Charles Sanders Peirce, cujo modo de ver privilegia os resultados das ações como fonte de significado e estabelece a comunicação intersubjetiva como meio preferencial de controle da objetividade de qualquer percepção”.

A Análise Pragmática deriva ainda das idéias do sociólogo Erving Goffman que diz: “Qualquer evento pode ser descrito em termos de um foco… Diferentes interesses vão gerar diferentes relevâncias motivacionais.” Princípios da pragmática também têm sido aplicados com sucesso na definição estratégica de operações militares baseadas em efeitos.

Procurei alinhar os conceitos da pragmática ao pensamento prospectivo que determina que o homem é o agente consciente das mudanças ao seu redor. Creio que compreendi um pouco mais a relação sutil que se estabelece entre ação e efeito, resultado e consequência. Isso mudou a forma de organização e execução dos meus projetos profissionais e pessoais.

Aos meus colaboradores e parceiros tenho solicitado que não mais me prometam resultados, mas que estruturem suas ações para que os seus efeitos possam permanecer. É também este o compromisso que tenho assumidos com eles e junto aos meus clientes.

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

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