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A razão para algo que existe


Pegadas na Areia

“Propósito não é o ponto de mira do arqueiro; é a trajetória da flecha.” Mark L. Carpenter

Não dou fé às generalizações de livros de autoajuda ou quaisquer outros que limitam a jornada humana a seguir receituários de sucesso. É como se fosse possível aos seus autores determinar que a atitude “X” leva diretamente ao resultado “Y”. Não creio que exista uma fórmula única e infalível para a felicidade pessoal ou para o sucesso profissional. Esse tipo de abordagem, apesar de possibilitar avanços em alguns casos, que reconheço, normalmente leva a crer que segui-la possa garantir êxito nas nossas pretensões, o que não raramente gera frustrações.

Dou fé ao autoconhecimento, mas sei que ele não é garantia de felicidade ou sucesso. Sinto que por mais correto que desejo e tento ser é certo que cometerei erros. Acredito que ao humanizar meus ídolos encurto a distancia até eles, torno-os figuras humanas possíveis. Creio na força do homem para projetar o seu futuro e escrever de próprio punho a sua história. Sei que devo agir com responsabilidade, sobretudo, com a minha própria biografia.

Ouso discutir esses conceitos sem contudo ter a intenção de obter aprovação. Faço para compartilhar experiências e trocar ideias, para ser questionado e para refletir. Busco encontrar verdades, sejam elas simples ou complexas, ou que possam contrariar minhas expectativas. Opto por ser o “tolo” que tenta acertar ao “sábio” que não se permite errar.

Tenho a convicção que muito mais que alcançar objetivos temos que manter a coerência com nossos propósitos. Propósito é a razão para algo que existe. É ele, o propósito, que deve prover sustentação para superação de percalços, é aquilo que deve nos movimentar adiante ou nos fazer considerar voltar. Mas, por alguma razão tendemos a nos comprometer mais com nossos objetivos do que com os nossos propósitos.

Cito o exemplo do(a) executivo(a) que diz que tudo faz por sua família, mas que a negligencia a ponto de se tornar um estranho. Outro exemplo é o(a) filho(a) que trabalha para proporcionar aos pais uma melhor qualidade de vida, mas que quase nunca tem tempo para visitá-los. Posso ainda citar o empreendedor(a) que diz reconhecer o esforço feito por seus colaboradores para construir sua empresa, mas que os dispensa como quem descarta algo indesejado.

É a partir do hiato que existe entre o “desejar e conseguir” que busco explicação para o que chamo de sucesso oco, que considero pior que o fracasso. Ele gera o vazio de ter conseguido aquilo que se deseja e, ao mesmo tempo, dúvida. O que vem depois? Do que vale isso sem ter com quem dividir? Onde estão as pessoas que sabem o real significado de ter alcançado aquilo que desejei?

Pessoalmente, desejo olhar para trás e ter orgulho do que tenha feito. Desejo olhar ao lado e reconhecer as pessoas com quem compartilhei minha trajetória. Concordo com o escritor Ed René Kivitz quando diz: “A felicidade é muito mais um jeito de ir do que um lugar aonde se chega.”

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Escrevi esse artigo inspirado em conversas, ensinamentos e exemplos que tive de um profissional que considero referência ética, moral e de competência técnica , o consultor F.O., que em determinada circunstância viu virtude e potencial onde outros não enxergavam.

Ed René Kivitz é teólogo, escritor e palestrante, mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. É Fundador e Diretor da Galilea – Consultoria e Treinamento, que divulga a tradição de espiritualidade judaico-cristã, visando contribuir para o desenvolvimento da pessoa humana, a promoção da paz e da justiça social. Aborda temas como qualidade de vida e espiritualidade nas organizações, ética e valores, carreira e vocação, transformação pessoal.

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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