Protagonista, Antagonista ou Observador da História?

Roberto de Oliveira Campos (Cuiabá, 17 de abril- 1917 — Rio de Janeiro, 9 de outubro- 2001) economista, diplomata, deputado, senador e ministro, ou Bobby Fields apelido dado por opositores por seu apreço por aquilo que depois veio a ser chamado de neoliberalismo, foi testemunha ocular de momentos decisivos da história, sobretudo no pós II Guerra.

Consta em sua autobiografia “A Lanterna na Popa“, na qual retratou não apenas a história econômica recente brasileira e mundial, como também seus feitos e suas observações sobre as personalidades que conheceu, que no período em que estava embaixador em Washington presenciou a tensão vivida na Casa Branca, diante da Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba.

Relata-se que, enquanto acompanhava os desdobramentos da crise na sede do governo norte-americano, foi abordado pelo próprio presidente John Fitzgerald Kennedy: “Então, embaixador, o que o senhor vai fazer? Eu pelo menos posso me refugiar em Camp David”, disse Kennedy, se referindo a possibilidade de um ataque: “Vou procurar abrigo na adega mais próxima, pois sou adepto daquele dito francês que diz: entre a calamidade e a catástrofe sempre existe lugar para uma taça de champagne”, respondeu. Dizem que o presidente Kennedy reagiu com um sorriso e pediu ao seu ajudante de ordens que anotasse aquela anedota.

Foram as decisões e ações que fizeram com que aquele episódio não resultasse no temido holocausto nuclear. Talvez essa licença de humor seja dada apenas aos observadores e não aos protagonistas que tem sobre os ombros o peso das decisões e suas consequências. Imaginem se tal brincadeira tivesse partido do presidente e encontrasse receptores dispostos a distorcê-la?

Há quem diga que “a história feita por alguns corajosos e contada por muitos covardes”, ou como o escritor inglês George Orwell acreditam que “a história é escrita pelos vencedores. Pra mim, “a história tem várias perspectivas”. É preciso cuidado, pois, tendemos a nos interessar mais por uma mentira que nos entretém do que pela verdade enfadonha.

Citei Roberto Campos por razão do apreço que tenho por sua figura e pelo reconhecimento da sua contribuição como protagonista e observador. Ele provou que é possível tanto fazer, quanto observar e escrever a história. Aos que conhecem pouco sobre sua importância para o Brasil moderno seguem algumas das suas realizações:

Participou do processo de criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi o criador do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, sendo acrescentado o “S” de Social), do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e, como Ministro do Planejamento foi o artífice das reformas tributária, trabalhista e bancária, cujos destaques são a criação do ICMS, do FGTS, do Banco Central e da Lei do Sistema Financeiro Nacional. Após ter sido embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Inglaterra, se elegeu senador pelo Mato Grosso e foi deputado federal duas vezes pelo Rio de Janeiro.

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Recomendo três vídeos históricos de Roberto Campos, sendo o primeiro uma participação no programa Tribunal do Povo em 1985, o segundo uma entrevista para o Programa Roda Viva em 1997 e o terceiro uma entrevista para o jornalista D´Ávila em 2001:

| Vídeo 01 | Vídeo 02 | Vídeo 03 |

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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Licença Creative Commons

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