Arquivo mensal: abril 2016

O Dilema da Mudança


Mudanca

Muito estudei e debati a respeito desse tema, mas ainda não encontrei argumento que tivesse me convencido. A tese que se sustenta é que o novo cria resistência pelo medo da mudança o que julgo em essência ser superficial. Estou convencido de que somos resistentes à mudança não por medo, mas por conforto. Creio que uma associação entre a sociologia, antropologia ou mesmo a biologia possam explicar com mais propriedade aquilo que desejo despretensiosamente sintetizar.

O novo sempre é melhor. O discurso do novo envelopa tudo como algo necessariamente bom. Muitos já fizeram uso desse argumento para legitimar interesses ilegítimos. Opositores ao novo são agrupados e posteriormente segregados. E, ainda que se estabeleça, nesse cenário o novo será aceito como algo que deve ser combatido. No mundo corporativo, o exemplo mais pragmático que vivi foi o breve ciclo da reengenharia na década de 90.

Vontade por si só promove mudança. Esse discurso baseia-se na dissociação entre desejo e ação. O processo de mudança requer planejamento e esforço para implementá-lo. Talvez seja esse o argumento mais oportunista, pois, é baseado no descompromisso com a execução. Nele tudo é possível, fácil e rápido. São ricos exemplos da sua aplicação, sobretudo no campo político e em cases de consultorias mal sucedidas.

Prefiro avaliar essa questão da perspectiva da evolução, involução e revolução. O novo só faz sentido se trazer consigo algo verdadeiro que provoque evolução. Evoluir não significa sair de um estado de conforto e migrar para outro. A evolução exige adaptações. A opção contrária é a involução onde entregamos passivamente ao tempo a determinação do momento da nossa obsolência que é sim inevitável para a maioria de nós mortais. Ao evoluir brigamos com o inevitável e essa é uma das questões da jornada humana pela qual tenho especial apreço.

Porém, o que mais me instiga é a revolução onde rompemos os limites. A revolução é sim um ato de rebeldia e através dela avançamos anos, décadas, séculos e milênios num único ciclo. A evolução é uma sequencia congruente de movimentos enquanto a revolução é o movimento em sí.

Evoluir é seguir por um caminho já desenhado enquanto revolucionar e fazer o próprio caminho. Não mude, evolua. Mas, se tive a oportunidade, coragem e o privilégio – revolucione!

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

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Projeto tem começo, meio, fim e consequências.


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Já há algum tempo defendo que os conceitos clássicos são ainda insuficientes para definir o sucesso ou limitar as mudanças obtidas por projetos. Não tenho nenhuma dúvida que essas definições extrapolam simplesmente o cumprimento de escopo, custo, prazo e qualidade.

Reconheço a mais-valia e a evolução das metodologias de gerenciamento de projetos baseadas naquilo que defino como enfoque clássico visto que buscam estabelecer um padrão médio referenciado em melhores práticas. Entretanto, identifico que o maior equivoco dessa abordagem seja o de focar resultado e não efeito (consequência). É assim que explico parte do insucesso mesmo daqueles projetos que obtêm o sucesso técnico.

Entendo que o sucesso real de um projeto não pode ser garantido apenas pelo gerenciamento da sua integração, escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições ou pelo acompanhamento de cronogramas e curva S ou pela elaboração de relatórios.

Na minha visão: “Projeto tem começo, meio, fim …. e consequências”.

É esta a preocupação que busco transmitir aos gerentes de projetos recém “enlatados” pelas certificações disponíveis no mercado, nas quais também reconheço valor. É esta consciência que espero encontrar em profissionais ditos experientes. É isto que me proponho a discutir aqui.

Quando o resultado se associa em sinergia ao efeito temos a noção que: “Resultado real é aquilo que efetivamente permanece”. Dessa perspectiva, proponho que o planejamento e execução de um projeto deva ser orientado aos efeitos pretendidos e não ao marco da mudança (resultado).

Sendo assim, o planejamento deve considerar múltiplos cenários e suas virtudes e restrições de modo que exista a maior quantidade possível de elementos para construção do efeito desejado. A execução deve ainda considerar a suplantação de cenários não previstos ou não desejados.

Aquilo que está no cerne desta abordagem é a exploração do conceito do controle consciente desses cenários (previstos ou não) para criar as condições necessárias de modo que os atores dos vários processos na organização, com seus diferentes interesses, possam operar, interagir e cooperar em benefício dos efeitos pretendidos pelo projeto.

Contudo, desde já afirmo que não é possível prever todos os cenários. Ninguém sabe com certeza o que irá acontecer no futuro. Porém, a imprevisibilidade não significa que não devemos preocupar com ele e meramente apostar na sorte ou em previsões otimistas. É preciso estar preparado para navegar num mar turbulento de crises e incertezas.

Nesse contexto o presente é também rico em informações e referencias, pois, a ação que se dá no presente é o que dá forma ao futuro. O pensamento de futuro envolve o que se deve fazer agora, que passos devem ser dados para tornar possível o futuro desejado.

O que estou apresentando não se traduz como uma metodologia, mas sim um modo de pensar. Neste sentido, não conflita e é complementar às metodologias de gerenciamento de projetos das quais tenho conhecimento. É este domínio sobre os efeitos que permite ver os conceitos clássicos como um meio de documentar e obter o controle operacional do projeto, ao invés de ser o modelo estratégico de concebê-lo e executá-lo.

Busco respaldo na Análise Pragmática – “principio baseado no pragmatismo, doutrina fundamentada no pensamento do filosofo Charles Sanders Peirce, cujo modo de ver privilegia os resultados das ações como fonte de significado e estabelece a comunicação intersubjetiva como meio preferencial de controle da objetividade de qualquer percepção”.

A Análise Pragmática deriva ainda das idéias do sociólogo Erving Goffman que diz: “Qualquer evento pode ser descrito em termos de um foco… Diferentes interesses vão gerar diferentes relevâncias motivacionais.” Princípios da pragmática também têm sido aplicados com sucesso na definição estratégica de operações militares baseadas em efeitos.

Procurei alinhar os conceitos da pragmática ao pensamento prospectivo que determina que o homem é o agente consciente das mudanças ao seu redor. Creio que compreendi um pouco mais a relação sutil que se estabelece entre ação e efeito, resultado e consequência. Isso mudou a forma de organização e execução dos meus projetos profissionais e pessoais.

Aos meus colaboradores e parceiros tenho solicitado que não mais me prometam resultados, mas que estruturem suas ações para que os seus efeitos possam permanecer. É também este o compromisso que tenho assumidos com eles e junto aos meus clientes.

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

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Começo, meio, fim e recomeço.


Começo, meio, fim e recomeço.

Tratamos começo, meio, fim e recomeço como algo inesperado, mas nada é mais constante na jornada humana.

Sempre que pensamos terminar alguma coisa, iniciamos outra. Acredito não existir vácuo entre o término e o início.

No começo tudo se resume a motivação e expectativas. Interagimos com o mundo e os seus atores com leveza e crença. Então, começamos a questionar e a duvidar. Chamamos a superação desses questionamentos e dúvidas de aprendizado.

Considero essa fase como sendo a mais incrível das nossas vidas. Tudo se apresenta como novo e desafiador. Planejamos e agimos pensando em benefícios futuros, que podem ou não acontecer. Temos que acreditar que nossas expectativas se confirmarão. É isso que nos provê a vontade e esperança para prosseguir.

Lembro-me de uma estória que ouvi na infância atribuída ao meu avô Bira. Nela um matuto plantava uma árvore que daria o seu primeiro fruto 20 anos depois. Quando questionado da validade daquele gesto por um amigo, o tal matuto respondeu que a partir daquele momento faltaria menos tempo para saborear o fruto.

No meio temos a possibilidade de reavaliar nossos objetivos, o que normalmente não fazemos. Abraçamo-nos tão forte às nossas convicções que não conseguimos abandoná-las facilmente. Seguimos na busca daquilo que acreditamos desejar.

No fim começamos a perceber que teremos que lidar com as nossas frustrações. Não podemos ligar os pontos (erros e acertos) olhando para o futuro. Só podemos fazê-lo revisitando o passado. Fazemos escolhas que não tem um resultado imediato, mas os seus efeitos se evidenciam depois.

Tão certo quanto isso é a resistência que temos ao menor sinal de mudança. Resistimos porque é mais confortável permanecer onde estamos ao ter que trocar essa condição pela incerteza. Se nos fosse dada a opção, é provável que tivéssemos escolhido ficar na segurança e conforto do útero materno a ter nascido.

Para nossa sorte opções assim não nos são oferecidas. Por melhor que seja a vida uterina, ela tem limite de tempo definido, assim como na vida temos o seu limite – a morte. Mesmo que nossa crença nos faça não temê-la, não queremos morrer.

Por toda vida procuraremos pela sensação de segurança. Essa sensação gera certezas que podem nem de fato existir. Ter segurança é uma necessidade humana apenas superior as necessidades fisiológicas como propõe o psicólogo americano Abraham Maslow. Acima delas estão as necessidades sociais, auto-estima e no topo da Pirâmide de Maslow encontramos a auto-realização. Dessa perspectiva, chegar ao topo não é uma escalada, mas uma construção iniciada da sua base.

O recomeço é uma verdade evidente e negá-lo tem o mesmo efeito de ser contra a lei da gravidade. Embora possamos fazê-lo, nada muda. Vejo-o como oportunidade de evitar erros e cometer outros, de ter e repetir acertos e de novos aprendizados.

Penso que o recomeço seja como viajar numa estrada já conhecida por onde já passamos com pressa sem ter prestado atenção nas paisagens e sinalizações. Por mais longa que pareça essa viagem, ela começa com o primeiro passo. Enquanto ele não for dado, permanecemos no mesmo lugar.

Concordo com Steve Jobs, que diz que no recomeço o peso de ser vitorioso é substituído pela leveza de ser novamente um iniciante. Devemos apreciar melhor a paisagem e observar mais as sinalizações ao longo da estrada. Pode ser que alguma paisagem nos interesse mais e ou ainda que alguma sinalização nos leve a outro destino.

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Informações biográfias sobre Abraham Maslow e sobre a sua Pirâmide de Necessidades podem ser obtidas por consulta a Wikipédia, clique aqui.

Além da minha própria experiência busquei inspiração para escrever este texto num discurso de Steve Jobs, CEO da Apple e da Pixar, que já citei, para formandos da Universidade de Standford nos EUA. Esse discurso pode ser visto em vídeo postado no Youtube, cujo link disponibilizo a seguir: | Vídeo |

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Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

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The Son Of Fortitudine


Inspirado na obra surrealista “The Son of Man”do belga René Magritte