The Son Of Fortitudine


Inspirado na obra surrealista “The Son of Man”do belga René Magritte

Axiomas Fields


Dizem que conselhos são uma forma de nostalgia. É verdade! Por isso, vou escrever com base nas minhas experiências e observações, que são fruto dos meus acertos e tropeços.

Fiquem tranquilos, pois, não recomendarei que usem “filtro solar”. Irei sintetizar “tudo” em 12 conselhos, que, como são meus, minhas verdades, chamarei de Axiomas Fields, sendo eles:

1º   O que quer que deseje ser, seja qual profissão for, que ela seja por opção, nunca por falta dela. A falta de sinceridade profissional é um dos piores pecados que podem ser cometidos e, normalmente, condena o pecador à mediocridade, seguida de frustração pessoal.

A formação acadêmica, títulos, certificações e cursos são muito importantes. As certificações, por exemplo, no mínimo, mudam o seu currículo de pilha na mesa do avaliador. Porém, é o modo como você faz o seu trabalho e produz resultados objetivos (mensuráveis) que define você como profissional. Obtenha títulos e certificados, mas faça com que os seus resultados possam falar mais por você do que eles. Resultados são sempre o melhor cartão de visita. Se tiver dúvidas quanto a isso, pense na formação do Bill Gates e Steve Jobs, por exemplo.

Vivemos em uma sociedade de consumo. Evite torna-se um bem que vai ser consumido e descartado. Ao invés disso, torne-se um ativo. Não só “ganhe”, “faça” dinheiro. Evite modismos. Tenha visão holística. Seja pragmático. Desconfie de 50% daquilo que ver e 100% daquilo que escutar quando isso vier de gurus. Nada dispensa o bom senso!

Envolva-se em encrencas boas. Escolha projetos e desafios complexos. Não se acomode nem tenha auto-piedade. Não se envergonhe por ser competente. Descubra e potencialize o seu talento. Seja diferente do “rebanho”. Você tem que saber o valor da sua contribuição. É cruel, mas é assim que o “mercado” funciona.

Desenvolva sua rede (networking). Participe de eventos, de redes sociais, de comunidades e grupos relacionados com suas áreas de atuação. Esteja presente nas confraternizações e eventos sociais da sua empresa. Aproxime-se do seu cliente. Sorria! Seja alguém com quem as outras pessoas queiram se relacionar e ter por perto. Muitos assuntos do trabalho são resolvidos em ambientes informais. Chamam isso de ócio criativo. Uma boa rede vale tanto, ou ainda mais, que o seu esforço de formação.

6º – Não basta ser honesto, é preciso parecer honesto. Esse é um ditado romano valioso. Cumpra compromissos firmados e avise com antecedência quando não puder. Cuide da sua reputação e defenda com vigor a sua honra. Fuja de boatos e dos boateiros, ligue-se aos fatos.

7º – Se a sua posição exigir liderança, lidere! Não tenha receio de decidir. Seja justo, mas, quando não for, desculpe-se. Não subestime ou subjugue seus liderados. Não permita ser subestimado ou subjugado. Comprometa-se e proteja seus liderados. A lealdade é o patrimônio do líder.

8º – Os locais onde trabalhamos, a quem servimos e as pessoas com quem escolhemos andar dizem muito sobre nossos valores. A forma como terminamos nossas relações pessoais e profissionais  dizem muito sobre quem somos. Evite as ações motivadas por raiva, ao invés disso, racionalize.

9º – Preserve sua família, os amigos e a(o) companheira(o). Esse deve ser o seu “lugar sagrado”, pois, por melhor que seja a sua relação com o trabalho, ela tem limites de tempo. E, quando esse tempo esgotar, para onde voltamos? Quando “tudo” parece dar errado, a quem procuramos? Onde encontramos apoio?

10º – Cuide-se! Esteja vivo para usufruir de tudo aquilo que está “plantando”. Lembre-se que sua relação com o mundo se dá por interseções (você e a sua família, você e o seu filho, etc.). O ponto de contato é você, sempre você!

11º – Acredite no seu potencial. Desenvolva o seu autoconhecimento. Siga a sua intuição. Se você acreditar em você, os “outros” tendem a fazer o mesmo. Vibre com as suas vitórias. Se permita errar, mas busque ser assertivo. Apaixone-se por você!

12º – “Fortitudine Vincimus”.

Sinceramente, espero que os meus axiomas possam ser úteis a você da mesma maneira que eles me são úteis. É bem verdade que não consigo praticá-los sempre, mas são neles que busco orientação. Compartilho com vocês o que de melhor a experiência me trouxe. E, por mais que meus axiomas possam parecer a compilação de livros de autoajuda, eles não são.

Escolhi escrever este texto por razão de observar profissionais em início de carreira “gritando” por orientação. Essa é a minha pequena contribuição. E, como diz a sabedoria popular – “Conselho bom não se dá de graça”. E, por crer nisso, como pagamento, peço que você se comprometa com o seu sucesso e que crie e divida os seus próprios axiomas.

Saúde, sabedoria, sucesso, satisfação e sorte!

___________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , ,

Recruta-se homens para jornada perigosa


“Há uma espécie de homens – de homens jovens sobretudo – que se comportam instintivamente de forma a justificar o que se espera deles. Se são olhados com olhos de desprezo, existem todas as chances para que se comportem de maneira desprezível. Se, ao contrário, sentem a estima e a confiança, superam a si mesmos e, mesmo morrendo de medo, como todos os outros, são capazes de agir como heróis.” – Maurice Druon

Penso que essa descrição, feita pelo autor francês da série Reis Malditos, sirva também ao propósito de definir como devemos encarar a formação de novos profissionais e a responsabilidade que temos como formadores das novas gerações.

Escrevi alguns artigos tratando da formação de profissionais e penso que seja oportuna a republicação. O primeiro tem o título: Recruta-se homens para jornada perigosa.

Anúncio de Emprego Endurance

Anúncio de vagas para a Expedição Imperial Transantártica de 1914.

“Recruta-se homens para jornada perigosa. Salários baixos, frio extremo e longas horas de escuridão completa. Retorno em segurança duvidoso. Em caso de sucesso: honra e reconhecimento – Ernest Shackleton.” Este foi o anuncio de recrutamento feito para Expedição Imperial Transantártica de 1914. É possível que tanta sinceridade cause espanto ainda hoje, mas em 1914 esse anúncio atraiu mais de 2 mil candidatos.

Somos induzidos e nos permitimos acreditar em benefícios que podem nem existir. O risco é ser seduzido pelo “canto da sereia”, onde a realidade é disfarçada por promessas e expectativas que nos levam ao encontro de situações indesejadas. Nestes casos, não é prudente esperar gratidão quando a verdade se apresentar.

A formação de uma equipe começa na idealização do propósito a ser alcançado. Continua no planejamento onde é feita a declaração dos resultados desejados, a definição de métodos, métricas e recursos e a quantificação de esforços e riscos. Segue pela execução com o aproveitamento e desenvolvimento das habilidades individuais e coletivas, com a gestão dos recursos alocados e superação de imprevistos. Ao final, têm-se um conjunto de informações e de novas habilidades que podem ter aproveitamento posterior.

A escolha do “Chefe” é de grande importância, pois, a ele cabe a responsabilidade do êxito. É dele que devem ser cobrados resultados e explicações. A sua escolha deve ser baseada na confiança dos seus patrocinadores e competência técnica. Devem ser observados critérios, tais como; liderança, ética, caráter, experiência, objetividade, motivação, determinação, coerência, persuasão e autocrítica. A ele devem ser dadas informações, recursos e instrumentos adequados para que o sucesso desejado possa ser alcançado.

O planejamento criterioso é quem cria condições para antever as habilidades (pessoas) e recursos (insumos). Quando pouco cuidadoso, a preparação é substituída pelo improviso, o que potencializa problemas. Saber onde e como se quer alcançar seus objetivos encurta o caminho entre ideia, desejo e realização.

No recrutamento é fundamental deixar claro aos candidatos o que se deseja alcançar, como se pretende fazê-lo, quais são os reais desafios e riscos e recompensas possíveis. Pactuar com esses objetivos, desafios e riscos deve ser uma escolha consciente.

É preciso ter bem definidos para cada função os seus requisitos (capacidade, esforço, conhecimento e experiência). Tão importante quanto esses requisitos são as características (lealdade, caráter, motivação, humor e altruísmo).

Recebi um texto que retrata com sábia simplicidade o diálogo entre um Mestre e o seu Pupilo. Esse diálogo, que transcrevo a seguir, sintetiza o motivo pelo qual recomendo a mesclagem de profissionais experientes e novos: “Mestre, como faço para me tornar um sábio? Boas escolhas, responde. E, como fazer boas escolhas? Experiência, diz o Mestre. E como adquirir experiência? Más escolhas, concluí”.

Outro cuidado que tenho ao formar minhas equipes é o de não incluir ou manter nelas pessoas excessivamente pessimistas, fatalistas ou os infelizes azarados. Profissionais com esse tipo de postura contaminam todo o ambiente e fazem cair a produtividade do grupo. A produtividade individual deles também é menor, pois, acreditam que o mundo lhes deve algo e fazem uso desses “pretensos créditos”

É ainda necessário que exista coerência entre a equipe e a organização. A equipe deve refletir e seguir características próprias da organização onde está inserida, mas ela também deve ser um fator de mudanças. Sob o ponto de vista da organização, a equipe não é um fim, mas um meio para se atingir determinado propósito.

É preciso que exista confiança na relação entre os membros da equipe. Neste aspecto, cabe mais ao líder criar entre os seus liderados esse tipo de consciência. Não se faz isso apenas com palavras, se cria com ações e com o cumprimento dos compromissos firmados, além das decisões tomadas diante de diversidades.

A formação de uma equipe se inicia antes do recrutamento e não termina com ele. Essa é a atividade mais constante daquele que se dispõe a empreender desafios e a liderar pessoas.
___________________________________

Informações biográfias sobre Ernest Henry Shackleton podem ser obtidas por consulta à Wikipédia| Shackleton | e também sobre o escritor francês Maurice Druon | Druon |

___________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , ,

Ética: Convicção ou responsabilidade?


“Sr. Diretor, atingiremos a meta?” “Sr. Parceiro, ganharemos juntos?” “Sr. Consultor, devo demitir essas pessoas?” “Sr. Gerente, vamos concluir este projeto no prazo?” “Sr. Colaborador, está realmente comprometido com a nossa empresa?” “Sr. Técnico, temos a qualidade que dizemos possuir aos nossos clientes?” “Sr. Candidato, é tão bom quanto diz o seu currículo?” “Sr. Profissional, esse fracasso foi responsabilidade sua?”

Tendemos a nos distanciar de dilemas assim. Porém, no nosso dia-a-dia, seja no campo profissional (que abordarei) ou pessoal, não raramente temos que enfrentá-los. Poderia citar outros exemplos, mas, creio que esses já são suficientes para a reflexão que proponho.

Segundo o cientista social Max Weber, há duas éticas: a da convicção e a da responsabilidade. A primeira não se importa com as consequências e os resultados de sua ação. A segunda toma em conta os defeitos do homem médio e condena qualquer ação que utilize meios moralmente perigosos, como a violência. A ética da convicção não suporta a irracionalidade ética do mundo. O mundo transforma-se, na primazia da convicção, no bem e no mal simplificados.

Se fizéssemos uma enquete entre os leitores deste texto o resultado apontaria como vencedora a chamada ética de convicção. Porém, se comparássemos essa mesma enquete com os vários cases de mercado, haveria uma maior aproximação com a chamada ética de responsabilidade.

Imagine-se agora como gerente de um projeto de desenvolvimento de um novo sistema em uma grande organização, que em tese já está na sua fase final de desenvolvimento, e no qual já se investiu milhares de reais. Você tem duas reuniões, uma com sua equipe técnica, e outra com o seu facilitador no cliente. Na primeira, recebe a notícia que o sistema desenvolvido é uma verdadeira “bomba”, mas, com alguns artifícios, o cliente não vai perceber. Na segunda, seu cliente faz esta pergunta – “Sr. Gerente, receio quanto a qualidade do sistema que contratamos. O que o senhor tem a me dizer a esse respeito? Posso tranquilizar nossa diretoria que quer cancelar este contrato?” Responder “não”, vai gerar a quebra do contrato e a sua consequente demissão. Responder “sim”, cria a possibilidade de prolongar esta situação, sem na realidade alterá-la.

Não tenho a preocupação em saber o que diríamos em voz alta a respeito desse assunto, pois, o que proponho é uma reflexão mais íntima feita diante da imagem refletida no espelho.

Por qual motivo agimos em alguns momentos de maneira contrária à nossa convicção? Digo, “agimos” por supor que todos nós enfrentamos em algum momento das nossas vidas esses dilemas e, eventualmente, tomamos posições que poderíamos agora desejar mudar.

Agimos dessa maneira pois acreditamos que a pena social será alta. Miramos mais nos resultados imediatos, e não nos efeitos das nossas ações. Justificamos isso por razão dos vários riscos que acreditamos correr: “Ser demitido”. “Ser desacreditado”. “Não mandar nossos filhos à faculdade”. “Não ser contratado”. “Perder o contrato”. “Ter menos lucro”. “Admitir o fracasso”.

Cito o filósofo Gusdorf que, quando diz: “O homem não é o que é, mas é o que não é”, não está fazendo um jogo de palavras. Ele quer dizer que o homem não se define por um modelo que o antecede, por uma essência que o caracteriza, nem é apenas o que as circunstâncias fizeram dele. Ele se define pelo lançar-se no futuro, antecipando, por meio de um projeto, a sua ação consciente sobre o mundo.

Não há caminho feito, mas a fazer. Não há modelo de conduta, mas um processo contínuo de estabelecimento de valores. Nada mais se apresenta como absolutamente certo e inquestionável.

Essa condição de certa forma fragiliza o homem. Ao mesmo tempo, o que parece ser sua fragilidade, é justamente a característica humana mais perfeita e mais nobre: “a capacidade do homem produzir sua própria história”.

___________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , ,

Uma lição atemporal de liderança


O naufrágio do navio Costa Concordia, onde o seu capitão literalmente abandonou o navio me fez relembrar de outras histórias de naufrágio onde a atitude do líder também definiram o seu desfecho. Vejo então oportuna a republicação de um artigo que escrevi em outubro de 2007 onde conto a história dos naufrágios do Endurance e Essex.

___________________________________

Foto do navio Endurance preso entre banquisas de gelo.

“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e grandes tempestades” – Epicuro

Tudo aquilo que tenho pesquisado e vivido indica que o bom líder é aquele que entende, e se faz entender por os seus liderados. É preciso saber comandar, mas é fundamental saber cativar.

É crucial que o liderado tenha fé no seu líder, seja para ter êxito e gozar de vitória gloriosa, ou para fracassar, e neste caso, padecer com honra. Citarei um relato de homens que foram capazes de superar situações desfavoráveis pela confiança no seu líder e outro onde isso não ocorreu.

Um bom exemplo é a saga do Endurace, navio a serviço da coroa britânica na Expedição Imperial Transantártica em 1914, comandado por Ernest Henry Shackleton, que após ficar 306 dias nas garras de banquisas de gelo foi esmagado e afundou.

A determinação do capitão Shackleton salvou sua tripulação de 27 homens depois do desastre da perda do navio seguida do isolamento e da sobrevivência sobre o gelo.

Shackleton, apoiado por sua tripulação, venceu com 3 botes um mar revolto e o rigor do clima da região polar até chegar à isolada ilha Elephant onde deixou 22 dos seus homens (que ele voltaria depois para resgatar). Seguiu com mais 5 homens rumo à ilha da Geórgia do Sul a bordo de um dos botes do navio, o pequeno James Caird. Navegaram por mais 16 dias nas águas mais perigosas do planeta. Devido aos rigores do clima, as condições do mar e a precariedade da embarcação, essa travessia é considerada como um dos maiores feitos náuticos da história.

Mas, isso ainda não era o bastante! Para chegar ao lado norte de ilha, onde se encontravam as estações baleeiras e pedir socorro não só para eles mesmos, mas para os 22 homens que ficaram na ilha Elephant, era ainda preciso fazer uma longa travessia. Até aquela data, ninguém jamais havia penetrado as geleiras e montanhas do interior da Geórgia do Sul.

Para se ter noção das dificuldades encontradas, nos últimos anos diversas expedições, usando os modernos equipamentos de alpinismo, tentaram seguir os passos de Shackleton e seus 2 companheiros. Não mais que 20 pessoas, incluindo aí os 3 primeiros tiveram sucesso.

Depois de um rápido descanso, Shackleton e mais 2 tripulantes partiram para alcançar as estações baleeiras do lado norte da ilha deixando 2 companheiros, que depois seriam resgatados. Com apenas 17 metros de corda, uma ferramenta usada como “picolé”, botas velhas com travas feitas com parafusos tirados do bote e roupas que mais pareciam farrapos, partiram rumo ao desconhecido. Após 36 horas caminhando sobre geleiras e montanhas chegaram à base baleeira de Stromnes.

Shackleton conseguiu retornar à Ilha Elefante e resgatar todos os seus homens com vida. Todos os tripulantes do Endurance sobreviveram. As vitimas foram os cães que tiverem que ser sacrificados e comidos para que a tripulação não concorresse com eles aos viveres disponíveis. A outra vitima foi um gato, Mrs. Chippy, que era mascote do navio.

O revés desse exemplo foi o naufrágio em 1820 do Essex, um baleeiro americano da ilha de Nantucket (ícone da economia americana naquela época). Esse navio foi afundado pelo surpreendente ataque de uma baleia cachalote de 26 metros.

Em consequência do naufrágio, seguiu-se um esforço desesperado da tripulação de 20 homens para salvar suas vidas, refugiada durante 90 dias em mar aberto em 3 botes, com pouca água e alimentos, e que chegaram a praticar o canibalismo para sobreviver.

Esse definitivamente não foi o maior pecado daqueles homens. Pesquisadores atribuem esse desfecho desastroso à avareza dos empresários da ilha de Nantucket, ao despreparo da tripulação escolhida com base em critérios questionáveis, mas principalmente à liderança parca do capitão do navio George Pollard que não fez valer suas convicções que poderiam, senão ter evitado o naufrágio, teriam minimizado muito o caos que foi o seu desfecho.

Embora as intuições do capitão Pollard fossem corretas, faltou-lhe força para impor sua vontade aos seus dois jovens oficiais. No caso do Essex, de uma tripulação de 20 homens distribuídos nos 3 botes, 11 morreram após o naufrágio. Os 5 primeiros tripulantes a morrer foram 5 negros. Desde o inicio da viagem eles recebiam um tratamento e alimentação pior que o resto da tripulação do navio. Dos sobreviventes, a maioria era de naturais de Nantucket. Os sobreviventes do Essex foram encontrados à deriva em mar aberto e não teriam chance de alcançar terra firme.

A tragédia do Essex inspirou o romance Moby Dick, de Herman Melville, que trata a luta de um homem contra seus medos e como tenacidade e determinação podem se transformar em obsessão e loucura. O homem descrito não corresponde à figura do Capitão Pollard. Ele está mais baseado no perfil de Owen Chase, o primeiro imediato que desejava ocupar o seu lugar, e acabou sendo capitão, e morreu demente muitos anos depois. Pollard morreu feliz na função de vigia noturno de Nantucket. Ele assumiu essa função depois de perder seu segundo navio.

As realizações de Shackleton até hoje inspiram. Ele deixou um legado difícil de ser esquecido. Ficou famoso tanto por suas expedições polares, como pela sua maneira peculiar de lidar com seus comandados. Apelidado de “Boss” por seus companheiros, Shackleton tinha como prioridade a segurança e o bem estar de seus homens, o que gerava uma fidelidade e adoração jamais alcançadas por seus pares.

De maneira intrigante, o insucesso de Shackleton para alcançar sua meta inicial, que era chegar ao continente antártico e atravessá-lo por terra, lhe deu mais notoriedade que façanhas bem sucedidas de outros exploradores da sua época. Shackleton morreu durante sua passagem na ilha Geórgia do Sul, numa nova tentativa para chegar ao pólo sul, e lá foi sepultado.

Voltando ao mundo empresarial, é conveniente que os comandados tenham fé no seu líder. Essa concepção contraria uma velha máxima fordista, válida, ou não, que pregava que para manter um trabalhador bastavam duas coisas: “O salário e o medo de perdê-lo.” Não acredito que este princípio seja passível de aplicação em empresas modernas com base no conhecimento.

Aos meus companheiros liderados, pois, todos temos que escolher um líder,  digo que a todo o momento existem Endurance´s e Essex´s saindo dos portos empresariais. Existem Shackleton´s e Pollard´s recrutando suas tripulações. Temos que definir em qual navio embarcar, e qual o tipo de líder queremos seguir. Aos amigos embarcados em empresas do tipo Essex, recomendo que saiam antes que sejam devorados.

Pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida, prefiro navegar com o “Boss”. Inclusive, esse é o maior elogio que posso fazer a um profissional é chama-lo de Chefe.

___________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , ,

Elegância empresarial


Neste texto quero abordar a Elegância Empresarial, que considero algo mais distinto que simplesmente seguir a Etiqueta Corporativa.

Enquanto a etiqueta baseia-se em recomendações de comportamentos aceitos socialmente para o profissional, a elegância remete ao modo como postura e atitudes da organização são percebidas.

A Elegância Empresarial posiciona-se no sentido oposto do Capitalismo Selvagem, que também chamo de Barbarismo Empresarial. No Barbarismo tudo é permitido em função de um interesse unilateral que visa lucro a qualquer custo, sem qualquer base ética, moral ou compromisso social.

De maneira análoga, o bárbaro se serve à mesa como se aquela fosse sua única e última refeição. Tal qual uma nuvem de gafanhotos, ele esgota todos os recursos de uma lavoura e, em seguida, busca uma nova área para consumir deixando a anterior absolutamente devastada.

Usando a mesma figuração, o elegante serve-se de maneira suficiente para satisfazer sua vontade e necessidades, pois, sabe que aquela não é a única nem será sua última refeição. Ao ver a lavoura, porta-se como o agricultor que, além de mantê-la, investe para que possa ser melhorada e ampliada.

Não estou dizendo que o lucro é algo indesejável. Aqui afirmo apenas que a avaliação do custo para obtê-lo deve ser racional e feita sob a luz da ética, moral e responsabilidades social e ambiental.

Organizações que agem de maneira elegante, sem excessos, ganham uma percepção de valor cada vez mais diferenciada que pode também ser percebida pela valorização das suas ações. É esse agir racional, compromissado e responsável que chamo de Elegância Empresarial.

Acredito firmemente que as grandes corporações devem caminhar firmemente para praticar esse modelo e, num futuro não muito distante, vejo médias e pequenas organizações o assimilarem.

O princípio é simples: “Cuidar, manter para ter e não para esgotar”.

__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , ,

O Efeito Pão de Forma


Efeito pão de forma.

Profissional Pão de Forma: É quadrado, tem o miolo mole e é fácil de embrulhar.

Há algum tempo me preocupo com a formação de novos profissionais por meio de receitas prontas de sucesso, apresentadas em livros com belas capas, títulos de efeito, mas de pouco conteúdo, que lotam prateleiras e habitam salas de espera em aeroportos.

Essas receitas criam aquilo que chamo de Efeito Pão de Forma, porque tendem a formar profissionais quadrados, de miolo mole e fáceis de embrulhar. Certamente, elas funcionam mais para o sucesso dos seus autores, livrarias e editoras do que para os seus muito leitores.

Não estou dizendo que não existam entre essas obras algo que realmente possa contribuir com aqueles que buscam aprimorar seus conhecimentos. Tampouco vou cair no lugar comum e propor alguma receita mágica ou o passo a passo para evitar essas “armadilhas”.

Inclusive, o que tenho a recomendar é contraditório: leiam tudo! Mas, façam isso com senso crítico e nunca só parar estar dentro do assunto da moda ou por causa “daquela” lista dos mais lidos.

Por minha própria experiência afirmo que existem frases que fazem valer centenas de páginas. Desconfio do pensar pronto e procuro buscar verdades e não conforto. Se há algo que impulsiona a humanidade isso é a duvida.

Não descarte nenhuma possibilidade, pois, o conhecimento pode se apresentar mesmo em conversas informais. É bem possível que uma “grande lição” possa ser aprendida com um profissional mais experiente para o qual você tenha colocado a tarja de antiquado ou mesmo para o novo profissional que antes de qualquer oportunidade foi pré-classificado de inexperiente.

E, principalmente, em tempos de internet, não confunda acesso à informação com conhecimento. Saber usar o Google não faz de você especialista em todos assuntos do seu acervo.

__________________________________

A expressão “Profissional Pão de Forma” me foi apresentada pela primeira vez por quem chamo de guru e amigo, o Sr. JMB, profissional de mente brilhante e inquieta, de trajetória marcada pela ética e elegância, a quem muito devo pela generosidade de compartilhar comigo essa e muitas outras pérolas.
__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , ,

A Teoria do Quarto.


A Teoria do Quarto

Nada poderia ilustrar melhor esse artigo.

__________________________________

Vejo alguns Gerentes de Projetos e outros profissionais neófitos cheios de certezas sobre muitas coisas, mas desorganizados em seus pensamentos e abordagens.

Eles dominam siglas, técnicas, tecnologias e ferramentas, mas não conseguem organizar suas rotinas. São apressados, embora estejam atrasados em suas atividades, não raramente estão estressados e têm sempre “coisas” muito importantes a fazer.

Discuti essa percepção numa viagem ao Rio de Janeiro com um grande amigo e também consultor JMB. Esse bom amigo, que possui grande vivência corporativa e conhecimento filosófico, desenvolveu uma teoria simples, inteligente e, sobretudo, bem humorada para tratamento dessa questão que mereceu nossa atenção por algumas horas. A base da teoria é: “Organize seu quarto e prepare a mente para resolver outras questões”.

A Teoria do Quarto, como ficou batizada, parte do princípio que os motivos que levam um indivíduo a procrastinar a organização do seu quarto se manifestam em outras áreas da sua vida social, afetiva e profissional. Então, o ato simbólico da organização do quarto começa a corrigir esse mecanismo de uma maneira ampla.

Conversamos algumas semanas depois daquela viagem e ele me garantiu que colocou a Teoria do Quarto à prova e garante que ela funciona. Sua primeira experiência foi feita em casa, na sua própria prole e com a observação de resultados bem favoráveis.

É claro que resolvemos abordar uma questão, que consideramos séria, pela via do humor. Porém, o resultado da “brincadeira” se apresentou como algo coerente.

A Teoria do Quarto torna possível uma abordagem mais suave e, por isso, mais possível de aceitação junto aqueles que identifiquei como profissionais neófitos.

Pergunte a eles: Como anda a organização do seu quarto?

 

__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , , , , ,

O Poder e Seus Jogos


Dilema do Poder

Poder distingue aquilo que se pode do que deve-se realizar.

O poder basicamente se divide em três tipos: Poder Coercitivo, Poder Utilitário e Poder Normativo. O primeiro é o poder da agressão: faça isso ou você apanha. O segundo é o poder do dinheiro ou do presente: faça isso que eu te dou isto. O terceiro é mais sutil: faça isso que terá reconhecimento e se sentirá bem.

Embora seja uma característica determinante, a transitoriedade do poder é negligenciada. O poder tem tempo finito (mandatos, cargos, vida, etc.). O poder abre portas e ao seu detentor confere distinção. O poder é alimentado e alimenta a faminta vaidade.

Ao Rei, além da coroa, é necessário o reconhecimento da sua autoridade por seus súditos. A ausência desse reconhecimento cria desordem, mas a sua imposição gera revolta. É pela busca desse equilíbrio que são feitas leis, normas, acordos, hierarquia e cargos .

Uma vez que poder consiste em autoridade para fazer quem não a tem busca influenciar aquele que a detém. Esta é a base do lobby que é um dos jogos de poder mais expressivos. A atividade do lobby surgiu na antessala da Câmara dos Comuns, na Inglaterra, onde os políticos eram abordados por quem tinha algum interesse. Nos EUA, o significado é o mesmo, só que acontecia na sala de entrada do hotel onde se os hospedavam os presidentes recém eleitos.

Existem sutilezas sobre o poder, uma delas é que ele pode se apresentar na forma parda. São ricos na história exemplos de estadistas que tinham menos poder que seus prepostos.

É assim que sintetizo o poder, que reconheço ser um tema muito mais amplo. Creio que as características citadas possam ser aplicadas igualmente às relações familiares, sociais e corporativas. Darei foco ao poder no âmbito corporativo e às relações de equipe.

O primeiro ponto que destaco é a crise de autoridade. Essa crise é um problema estrutural do poder e pode ser explicada pela delegação de responsabilidades sem a autoridade necessária.

Gosto do caso citado por um amigo a quem muito considero pela inteligência. Nele, o desafio consistia em saber quem era o seu verdadeiro chefe. Então, ele criou o critério: “Meu chefe será aquele que puder me conceder R$ 1,00 de aumento ou puder aceitar meu pedido de demissão”. Qual foi o resultado dessa pesquisa? Vários pretensos chefes foram eliminados da sua lista e ele passou a desempenhar melhor a sua função sendo orientado e reportando-se a quem de direito.

Quando alguém não ocupa seu espaço outro o fará, bem ou mal, com ou sem delegação formal. É por isso que vemos chefes sendo chefiados. Isso se explica por fraquezas (que em nada combina com o poder), pelo despreparo (o jogo do poder não é para amadores) ou pela arrogância (que torna turva a visão da realidade).

O poder dos fortes é a força motriz da equipe, embora possa levá-la para caminhos distantes dos resultados pretendidos. É preciso existir equilíbrio entre força e razão. Ter poder para decidir não significa decidir corretamente.

Existe ainda o poder dos fracos. Se o poder dos fortes consiste na força para fazer algo, o poder dos fracos consiste em atrapalhar que esse algo seja feito. Os fracos se disfarçam de minorias que causam grande impacto no desempenho de uma equipe. O empoderamento do incapaz é um dos maiores erros que equipes e organizações podem cometer. Seu efeito deveria ser medido pela Escala Richter tamanho os abalos que podem ser causados.

Se nos governos temos o ditadores, nos reinos os tiranos, nas instituições há o déspota. Em pleno século 21, no curso da Era do Conhecimento, há ainda quem defenda princípios arcaicos da relação de trabalho: “Para se manter um funcionário é preciso duas coisas, o salário e o medo de perdê-lo“. Essa é a versão corporativa do Poder Coercitivo, já citado. O déspota, tal qual o ditador, ignora a característica transitória do poder.

O fluxo do poder (de onde ele vem e para onde vai) e a sua natureza deve ser compreendida. Esse é um aspecto muito importante e sabê-lo abre caminhos e evita conflitos.

O historiador, poeta e diplomata italiano do Renascimento Nicolau Maquiavel que abordou com despudor a relação de poder na sua obra O Príncipe, escreveu:

“…assim como aqueles que desenham a paisagem se colocam nas baixadas para considerar a natureza dos montes e das altitudes e, para observar aquelas, se situam em posição elevada sobre os montes, também, para bem conhecer o caráter do povo, é preciso ser príncipe e, para bem entender o do príncipe, é preciso ser do povo…”

Podemos conhecer as características de um chefe (aqui representando o poder) pela observação do comportamento da sua equipe e da mesma maneira ao observarmos o chefe poderemos identificar características da sua equipe.

Chegamos ao ponto que considero ser o mais importante, que é o poder do exemplo. É pelo exemplo que se obtém respeito e se modela a equipe. Isso vai muito além do reconhecimento da autoridade. Vivemos numa sociedade de laço social vertical onde buscamos o ponto de referência acima. Por tanto, quem tem poder ao exercê-lo deve ter consciência dessa responsabilidade.

__________________________________

O Poder dos Fracos, pelo psicanalista Jorge Forbes. | Vídeo |

Informações biográfias sobre Nicolau Maquiavel e a sua obra podem ser obtidas por consulta a Wikipédia, no link: | Maquiavel |.

__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , , , , ,

A razão para algo que existe


Pegadas na Areia

“Propósito não é o ponto de mira do arqueiro; é a trajetória da flecha.” Mark L. Carpenter

Não dou fé às generalizações de livros de autoajuda ou quaisquer outros que limitam a jornada humana a seguir receituários de sucesso. É como se fosse possível aos seus autores determinar que a atitude “X” leva diretamente ao resultado “Y”. Não creio que exista uma fórmula única e infalível para a felicidade pessoal ou para o sucesso profissional. Esse tipo de abordagem, apesar de possibilitar avanços em alguns casos, que reconheço, normalmente leva a crer que segui-la possa garantir êxito nas nossas pretensões, o que não raramente gera frustrações.

Dou fé ao autoconhecimento, mas sei que ele não é garantia de felicidade ou sucesso. Sinto que por mais correto que desejo e tento ser é certo que cometerei erros. Acredito que ao humanizar meus ídolos encurto a distancia até eles, torno-os figuras humanas possíveis. Creio na força do homem para projetar o seu futuro e escrever de próprio punho a sua história. Sei que devo agir com responsabilidade, sobretudo, com a minha própria biografia.

Ouso discutir esses conceitos sem contudo ter a intenção de obter aprovação. Faço para compartilhar experiências e trocar ideias, para ser questionado e para refletir. Busco encontrar verdades, sejam elas simples ou complexas, ou que possam contrariar minhas expectativas. Opto por ser o “tolo” que tenta acertar ao “sábio” que não se permite errar.

Tenho a convicção que muito mais que alcançar objetivos temos que manter a coerência com nossos propósitos. Propósito é a razão para algo que existe. É ele, o propósito, que deve prover sustentação para superação de percalços, é aquilo que deve nos movimentar adiante ou nos fazer considerar voltar. Mas, por alguma razão tendemos a nos comprometer mais com nossos objetivos do que com os nossos propósitos.

Cito o exemplo do(a) executivo(a) que diz que tudo faz por sua família, mas que a negligencia a ponto de se tornar um estranho. Outro exemplo é o(a) filho(a) que trabalha para proporcionar aos pais uma melhor qualidade de vida, mas que quase nunca tem tempo para visitá-los. Posso ainda citar o empreendedor(a) que diz reconhecer o esforço feito por seus colaboradores para construir sua empresa, mas que os dispensa como quem descarta algo indesejado.

É a partir do hiato que existe entre o “desejar e conseguir” que busco explicação para o que chamo de sucesso oco, que considero pior que o fracasso. Ele gera o vazio de ter conseguido aquilo que se deseja e, ao mesmo tempo, dúvida. O que vem depois? Do que vale isso sem ter com quem dividir? Onde estão as pessoas que sabem o real significado de ter alcançado aquilo que desejei?

Pessoalmente, desejo olhar para trás e ter orgulho do que tenha feito. Desejo olhar ao lado e reconhecer as pessoas com quem compartilhei minha trajetória. Concordo com o escritor Ed René Kivitz quando diz: “A felicidade é muito mais um jeito de ir do que um lugar aonde se chega.”

__________________________________

Escrevi esse artigo inspirado em conversas, ensinamentos e exemplos que tive de um profissional que considero referência ética, moral e de competência técnica , o consultor F.O., que em determinada circunstância viu virtude e potencial onde outros não enxergavam.

Ed René Kivitz é teólogo, escritor e palestrante, mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. É Fundador e Diretor da Galilea – Consultoria e Treinamento, que divulga a tradição de espiritualidade judaico-cristã, visando contribuir para o desenvolvimento da pessoa humana, a promoção da paz e da justiça social. Aborda temas como qualidade de vida e espiritualidade nas organizações, ética e valores, carreira e vocação, transformação pessoal.

__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , , , , , , , , ,

Protagonista, Antagonista ou Observador da História?


Roberto de Oliveira Campos (Cuiabá, 17 de abril- 1917 — Rio de Janeiro, 9 de outubro- 2001) economista, diplomata, deputado, senador e ministro, ou Bobby Fields apelido dado por opositores por seu apreço por aquilo que depois veio a ser chamado de neoliberalismo, foi testemunha ocular de momentos decisivos da história, sobretudo no pós II Guerra.

Consta em sua autobiografia “A Lanterna na Popa“, na qual retratou não apenas a história econômica recente brasileira e mundial, como também seus feitos e suas observações sobre as personalidades que conheceu, que no período em que estava embaixador em Washington presenciou a tensão vivida na Casa Branca, diante da Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba.

Relata-se que, enquanto acompanhava os desdobramentos da crise na sede do governo norte-americano, foi abordado pelo próprio presidente John Fitzgerald Kennedy: “Então, embaixador, o que o senhor vai fazer? Eu pelo menos posso me refugiar em Camp David”, disse Kennedy, se referindo a possibilidade de um ataque: “Vou procurar abrigo na adega mais próxima, pois sou adepto daquele dito francês que diz: entre a calamidade e a catástrofe sempre existe lugar para uma taça de champagne”, respondeu. Dizem que o presidente Kennedy reagiu com um sorriso e pediu ao seu ajudante de ordens que anotasse aquela anedota.

Foram as decisões e ações que fizeram com que aquele episódio não resultasse no temido holocausto nuclear. Talvez essa licença de humor seja dada apenas aos observadores e não aos protagonistas que tem sobre os ombros o peso das decisões e suas consequências. Imaginem se tal brincadeira tivesse partido do presidente e encontrasse receptores dispostos a distorcê-la?

Há quem diga que “a história feita por alguns corajosos e contada por muitos covardes”, ou como o escritor inglês George Orwell acreditam que “a história é escrita pelos vencedores. Pra mim, “a história tem várias perspectivas”. É preciso cuidado, pois, tendemos a nos interessar mais por uma mentira que nos entretém do que pela verdade enfadonha.

Citei Roberto Campos por razão do apreço que tenho por sua figura e pelo reconhecimento da sua contribuição como protagonista e observador. Ele provou que é possível tanto fazer, quanto observar e escrever a história. Aos que conhecem pouco sobre sua importância para o Brasil moderno seguem algumas das suas realizações:

Participou do processo de criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi o criador do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, sendo acrescentado o “S” de Social), do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e, como Ministro do Planejamento foi o artífice das reformas tributária, trabalhista e bancária, cujos destaques são a criação do ICMS, do FGTS, do Banco Central e da Lei do Sistema Financeiro Nacional. Após ter sido embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Inglaterra, se elegeu senador pelo Mato Grosso e foi deputado federal duas vezes pelo Rio de Janeiro.

__________________________________

Recomendo três vídeos históricos de Roberto Campos, sendo o primeiro uma participação no programa Tribunal do Povo em 1985, o segundo uma entrevista para o Programa Roda Viva em 1997 e o terceiro uma entrevista para o jornalista D´Ávila em 2001:

| Vídeo 01 | Vídeo 02 | Vídeo 03 |

__________________________________

Rodrigo Campos .:. Atua como consultor, executivo e empreendedor no mercado de Tecnologia da Informação desde 1993 e em gestão empresarial desde 1998.

___________________________________

Licença Creative Commons

Esta obra de Rodrigo Campos está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License

Etiquetado , , , , ,